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Death Note - O Dia Seguinte (página 2)



     -Como estou longe da Operações, enviarei o comando via celular  apertando este botão. - completa L.



     Os dois encomendam então dois tipos de drogas à Interpol: um estimulante cardíaco em cápsula acoplado acima do dente canino esquerdo e um indutor de morte clínica, bastante convincente e perigoso, acoplado no canino direito.

     Um cirurgião-dentista do FBI coloca o aparelho nos dentes de L e Watari explicando como ativar cada comprimido distintamente.

     Então eles dois combinaram de "aquele que for atacado primeiro ativa o estimulante do canino esquerdo e aperta o botão pra avisar o outro, e o outro, ao receber o aviso, morde o canino direito tomando o indutor de morte clínica"!


      Foi o que ambos fizeram naquele dia fatídico. Assim que L recebeu o recado, imediatamente mordeu o canino direito, tendo tido uma morte clínica simulada perfeitamente bem-sucedida!

     A autópsia revelou que Watari, depois de ter apertado o botão, teve a ideia de morder também o canino direito pra tentar se salvar, mas sua idade avançada foi um obstáculo, e ele não resistiu. L passou a considerar essa hipótese, e voltou a utilizar pro resto da vida esse aparelho na boca, por precaução.

     Secretamente, ele ensinou isso pro Near, que agradecido, passou a usar também.

     Toc-toc-toc!

     L se vira e olha pra porta.

     "Só pode ser uma pessoa..." - pensou L apreensivo, já que ele sabe que Sir Henry dorme cedo, por volta das onze.

     -Abra logo, Leonard,...eu sei eu vc tá acordado! Leléu, láoláo, ló ló...porque você trancou essa porta? toc, toc, toc! - disse uma voz feminina...certamente uma velha amiga dos tempos de infância.

     Eram 00:15, e L não queria atender porque estava com mau-hálito, coisa que lhe acontece sempre que ele janta pizza muito acebolada como ele gosta antes de comer mais doces e dormir.

     -Ahn?...ah...já vai... - ele coloca uma balinha "tira-bafo" de hortelã na boca e abre a porta com a cara meio amaçada de sono e envergonhado.

     Era Tuppence, neta de Sir Henry, uma lindíssima moça de 25 anos já separada e com dois filhos pequenos que cria sozinha.

     Mas ela estava sozinha naquele momento, pois as crianças estavam com sua irmã mais velha, que seguiu a carreira politica da família, enquanto que Tuppence preferiu escolher a carreira de médica-cirúrgica com especialização em cirurgias plásticas.

     Portanto, Tuppence nada sabia sobre o codinome L e a SPK. Pra ela, o nome de L era Leonard. E ela não faz ideia de que L é um detetive. Essas informações foram escondidas dela.

     Tudo o que Tuppence sabe é que L(Leonard) é um gênio da informática e foi órfão criado na Wammy's House, e que foi adotado por seu tio-avô, Watari, e achava que L trabalhava como ajudante dele.

     Na verdade, o único membro da família que sabe sobre as atividades de Watari e L é justamente Sir Henry. Tudo é tratado com máximo sigilo.

     L estava claramente envergonhado, pois Tuppence foi quem ajudou Sir Henry a refazer a plástica  após seu retorno. Antes quem fazia era um cirurgião particular que não fazia ideia de que aquele jovem era L. Para o cirurgião, L era um programador de TI, coisa de informática.

     Não foi bom pra auto-estima de L ser visto daquele jeito no dia da cirurgia por uma jovem linda que ele sempre imaginou estar totalmente fora de seu alcance, mas por quem ele alimentava esperanças e suspirava sempre que a via, vendo-a como se fosse uma princesa...uma fada... uma elfa, algo puro.

     O procedimento médico adotado tanto pelo médico particular, quanto este feito por Tuppence e seu avô não consistia em operação plástica, mas sim se tratava de uma máscara que deve ser costurada sobre uma camada prévia de material anti-inflamatorio e hidratante.


   
     -Desculpe ter chegado tarde com seus remédios, fiquei até as onze na clínica hoje. Ah! Tem mais uma coisa. - Ela retira uma algema de dentro da bolsa, o que faz L arregalar os olhos e ficar de queixo caido e cara de idiota.

     Ela aproveita esse momento de hesitação de L e o algema ao seu braço:

     -Vamos! Tá todo mundo no carro te esperando! - diz Tuppense com cara de quem acaba de vencer uma discussão mesmo antes dela iniciar.

     -Ir pra onde, Tu?

     -Vamos pra Harley hoje. A Monica, e o Jack já estão no carro...não quer que eu os chame aqui pra te arrastar né.

     "Ah, que pena que não foi o que eu tava pensando...eu nunca dou sorte", suspirou L.

     Eles todos eram amigos das antigas. Harley era o nome de um pub com musica no violão. Tuppence sabia que L tava de luto pela morte de seu tutor e amigo, e ela e os amigos combinaram de arrastar Leonard pra descontrair um pouco.



     L estava de pijama, mas foi assim mesmo, só calçou o tênis esquerdo enquanto Tuppence calçou o direito pra ele. Os dois riram da cena inusitada, porque ambos estavam atrapalhados pra calçarem os pés dele com apenas uma mão de cada ao mesmo tempo.

     Era a intimidade tipicamente inocente(em têrmos) de velhos e bons amigos.

     Depois que todos os quatro chegam ao pub, Jack tira a algema na entrada, à pedido do segurança.

     Ao som de "Hey Jude", com pressão psicológica dos amigos gritando: "Beija! Beija!", L e Tuppence finalmente se beijam e passam a noite juntos depois de Monica e Jack terem ido embora.




     L e Tuppence passaram dias felizes juntos. Sir Henry não aprovava esse relacionamento pois achava que no final das contas um faria mal ao outro.

     E ele, na sua sabedoria da casa dos 70, tinha uma pequena razão em sua lógica: O trabalho de L era perigoso, e isso poderia ser um risco à segurança de sua neta, ainda mais tendo em vista como foi perigoso seu ultimo caso. Ele temia por ela.

     Por outro lado, L foi um enorme investimento por parte de seu irmão, investindo em sua educação e saúde para que ele se tornasse um grande homem, o que sem sombra de dúvida ele já se tornou, mas...em se tratando de L, pode-se esperar muito mais dele, e um relacionamento agora, se terminar em casamento e filhos, poderia lhe tirar o foco e afastá-lo das investigações, onde ele claramente tem enorme talento.

     Infelizmente Sir Henry era do tipo materialista...não se preocupava muito com a vida pessoal nem de si mesmo, nem de ninguém. Seu irmão era do mesmo perfil, ambos "work a hollic".

     Mas os dois estavam apaixonados, e o mal-humor dele acabou cedendo ao namoro dos dois.

     Por volta do dia 20/11/04, L envia uma mensagem cryptografada para Near:

     "Caro Near, deixo tudo com vc. Não poderei + ajudar. Estou trabalhando em outra área agora. Sucesso!".



     L abandona a carreira de detetive. A derrota dele no Japão mostrou que era o momento de recuar, caso ele quisesse seguir os conselhos da "Arte da Guerra".

     "Para vencer, temos que saber os momentos de avançar ou de ceder". "O pinheiro imponente se quebra e tomba, porque tenta resistir à tempestade, enquanto que o sábio bambu à ela se curva, e sobrevive no final".

     Sir Henry já estava à par de todo o caso Kira, pois ao deletar todos os dados da SPK, uma cópia de emergência foi para seu castelo, como mandava o protocolo.

     -Tio, -diz L- irei me graduar em Física e Química, pois tenho novos projetos em mente.

     -Como assim, filho? - era o jeitão dele se expressar.

     -Cheguei à conclusão de que não adianta continuar perseguindo uma só pessoa, se mesmo depois de executada, mais e mais novos Kiras aparecerem depois dele...

     E completou:

     -Temos que encontrar um modo de cortar o mal pela raíz. E eu já tenho algumas ideias.



     -Que idéias? - perguntou o lorde inglês, com a xícara de chá na mão.

     -Não sei se o senhor sabe, mas nós chegamos a ter um death note em nossas mãos.

     -Sim, eu já li essa parte.

     -Leu todo o relatório?! - exclama L, espantado, pois era muito conteúdo.

     -Eu tava com insônia na época! - retrucou Sir Henry, dando de ombros.

     -Então será mais fácil de entender minha explicação. Preciso de uma amostra do Death Note. Até mesmo um simples pedaço serve. Para estudos em laboratório. Precisamos de uma mistura de abordagem religiosa com abordagem científica, já que essa é uma situação extrema.

     -Conversei com alguns amigos, e recebi um convite de um bispo do Vaticano chamado Teles. Ele é doutor em Fisica, Quimica e especialista em casos de ocultismo e ritos pagãos.

     -Se ofereceu para me ajudar nos estudos e pesquisas. Estarei muito ocupado nos próximos três ou quatro anos.

     -Mais uma coisa: Tuppence e eu já decidimos...vamos nos casar e levar as crianças conosco para o Vaticano.

     Sir Henry insistiu que o casamento fosse em Londres, coisa que eles tiveram que aceitar.

     O novo casal e as duas crianças partiram para o Vaticano dia 01/01/05.




     Semanas depois, sem L saber, a revista Science mostra uma reportagem sobre o Mal de Anatoli e as formas de tratamento, mostrando diversas fotos do antes e depois de alguns pacientes ao redor do mundo.

     Numa das fotos, havia o retrato de L.








     Capitulo 4 - Velhos Amigos

     -Ryuk?! - disse Raito, surpreso, com um sorriso de alegria.

     -Oi, Raito. Vejo que anda pegando minhas maçãs. Hehe.

     -Tá brincando comigo, Ryuk,...aquela ia ser a minha primeira desde que cheguei aqui...- diz Raito, sorrindo.

     -O que?! É sério? Ah...desculpa, Raito...mas não se preocupe, que daqui a cem anos nasce outra em qualquer árvore por aí, hehe.

     -Só você mesmo, Ryuk...- disse Raito, olhando pra baixo com um ligeiro sorriso numa mistura de satisfação e frustração.

     E completou:

     -Ryuk, porque você não apareceu todo esse tempo em que fiquei sozinho? Eu não sabia onde achá-lo, mas suponho que você soubesse onde eu estava.

     -Eu sabia onde você estava, Raito...mas você precisava ficar sozinho. São as regras. Não leve a mal.

     -Entendo...- diz Raito, pensativo.

     Os dois começaram a caminhar juntos pra onde os outros shinigamis estão reunidos. Levarão alguns milhões de anos pra chegar se forem a pé, ou alguns segundos se forem de asas.

     Mas eles não tem pressa de coisa alguma, e vão caminhando.

     Eles conversam muito por dias e dias enquanto caminham, e Ryuk explica vários detalhes ...algumas coisas que a Morte não mencionou, e outras que ele já sabia.

     -De inicio, quando cheguei aqui, eu achava que você havia me matado por maldade, e que não me ajudou porque não quis, Ryuk. - disse Raito, ainda com um pouco de frustração residual.

     -Você ia morrer naquele dia de qualquer jeito, Raito, mesmo que eu não tivesse aparecido. O fato de eu ter te entregado o Death Note não alterou em nada o dia em que você estava para morrer, pois esse dia fica escrito acima de sua cabeça no dia em que você nasce. - Diz Ryuk, confirmando o que a Morte havia lhe dado a entender.

     A Morte já havia explicado antes que os shinigamis nunca escolhem pessoas que viverão muito, pois isso seria entediante ora eles, e ficariam presos a esse mortal por muitas décadas, o que tornaria a experiencia chata e enjoativa.

     Mortais que tem somente mais dois ou no máximo mais dez anos de vida são os mais escolhidos pelos shinigamis. E mesmo assim, os shinigamis sempre oferecem o acordo dos olhos para reduzir ainda mais esse tempo.

     A própria Morte encoraja os shinigamis a fazerem essas coisas. E ela se diverte muito com isso.
   
     E continuou:

     -A única forma de você morrer antes desse tempo é fazendo o acordo dos olhos.

     Raito o corrige:

     -Ou se um shinigami matar aquela pessoa antes do tempo. São duas formas, Ryuk...

     -Ah, é!... Isso mesmo, tinha me esquecido. - responde, coçando a cabeça, olhando pro Raito...impressionado com sua sagacidade, e se indagando algo. Mas Raito continuava sempre olhando pra frente.

     Ryuk continua encarando pensativo: "Ele parece continuar tão sagaz quanto antes. Não! Ele está sem sombra de dúvida muito mais sábio e esperto. Ja não é mais um mero humano. Acho que ele deve também ter percebido aquele detalhe. Vou testar esse garoto".

     -O que você achou da Morte, garoto? - disse Ryuk, olhando fixamente com os olhos bem abertos e maldosos.

     Raito entendeu o que ele parecia estar insinuando.

     "Ryuuku poderia também ter percebido que pensamentos muito velozes, mais que instantâneos, não podem ser lidos pela Morte" - pensou Light.

     Raito envia um olhar firme em resposta, para mostrar que havia recebido bem o recado.

     Riuk quebra o gelo:


     -Muito bem...vamos parar por aqui. - diz Ryuk, juntando alguns pedaços de caveiras, pequenos ossos e pedras. - Sente-se, Raito, vou te ensinar um jogo novo.

     Raito estava bastante curioso, pois sabia que não era nenhum jogo, ainda mais porque aquele olhar perverso do Ryuk indicava que havia algo sério no ar.

     Ao todo, Ryuk juntou 26 caveiras, 26 ossos e 26 pedras, colocou todas no chão e ambos se sentaram para jogar. Somente Ryuuku mexia nas peças. Raito olhava atentamente. Cada vez que Ryuk pegava numa peça, olhava para Raito, movendo sua íris(seu olhar) numa direção específica.

     Ao todo, Raito percebeu, após várias tentativas do shinigami, que aquilo era um código secreto, onde Ryuuk movia seu olhar para 26 direções diferentes, adicionando assim, um quarto elemento à variável.

     Raito entendeu na mesma hora que o número 26 representava as letras do alfabeto, mas levou um longo tempo pra perceber que a sequência das pedras que ele tocava representava uma letra do alfabeto dominante da Terra, língua que Raito sabia falar, o inglês.

     Levou muito tempo pra entender que o movimento dos olhos mudavam o real valor de cada peça. Até o Raito entender por completo esse código, levou tempo equivalente a dois anos, até porque ambos paravam pra dormir em vários momentos, e porque também haviam outras discretíssimas variáveis que Raito demorou muito pra perceber.

     Finalmente, após vários testes de confirmação, ele percebeu que Raito já havia dominado  o código por completo.

     A partir desse momento, os dois começam a conversar em código, ao moverem as peças. Ryuk pega algumas, e as posicionam pra dizer:

     -"Raito, há três tipos de shinigamis aqui. Há os que querem morrer pra sempre e nunca mais voltar a existir de forma alguma, há aqueles que preferem ir pro inferno do que continuar aqui, e há os que preferem aqui ficar do que qualquer outra opção anterior. A qual dos três grupos você pertence?"

     Raito sabia que o Inferno era um lugar de tortura, tristeza e tormento eternos, mas também sabia que os demônios que serviam bem a Satanás eram recompensados com prazeres, titulos e outros privilégios. No início, é um lugar absolutamente abominável, mas depois de varias Eras de interminável sofrimento, melhora bastante. E Raito já estava acostumado com a eternidade...a eternidade para ele não era nada.

     Mesmo assim, ele responde, movendo as peças:

     -"É claro que sou do tipo que prefere ficar aqui, Ryuk".

     Kira já estava em uma fase em que aceitava a ideia de pagar por seus pecados no Inferno. No entanto, ele tinha alguns objetivos pessoais em mente...alguns assuntos pendentes que ele precisava resolver, e para tanto, tinha que continuar no mundo dos shinigamis por mais tempo.

     Ryuk se mostra surpreso com a resposta. Ele resolve parar de usar o código, e diz em voz alta, de modo até um pouco paternal:

     -Ei, Raito,...você está diferente. Você era mais...como vou dizer...você era sempre alguém inconformado e enérgico, estava sempre com algum objetivo em mente. Agora você anda sempre calado e reflexivo...não expõe suas ideias como fazia antes. O que está acontecendo?

     E complementou:

     -Ninguém nunca antes havia aprendido a jogar esse jogo tão rápido quanto você. Como sempre, você é sempre o mais inteligente. Mas no resto, não tá dando pra te reconhecer.

     Com um ligeiro sorriso demonstrando orgulho próprio, ele responde:

     -Aprendi muito aqui, Ryuk. Ou você esperava que eu fosse permanecer para sempre como um jovem imaturo e arrogante? Eu confesso que sempre fui o mais inteligente onde quer que eu fosse,...mas ainda assim, eu era apenas um simples jovem tôlo e imaturo.

     Kira pega uma pedra do chão e se levanta, olhando para o leste(em relação à posição de Ryuk), apertando a pedrinha com força, esmagando-a, desta vez com um olhar mais determinado:

     -Agora será bem diferente, e isso eu posso lhe garantir, Ryuk. Nada daquilo que aconteceu vai passar sem punição.

     Kira olha pra Ryuk com um olhar vermelho e ineditamente maligno:

     -Vou levar o maior número possível de pessoas para...hum...hum...hum...hum...hum! - ele começa a rir por dentro - um lugar bem legal, digamos assim!

     -Ku ko ko! Pra que lugar, Raito?

     -Para o Inferno, Ryuk...para o Inferno!

     -Ku...ko...e por que pra lá, Raito? Se a resposta for promissora, juro que passo a te chamar de Kira novamente.

     -Ki...ra...essa palavra... - por incrível que pareça, a longa eternidade em que ele viveu no mundo dos shinigamis fez Raito esquecer dessa palavra, com a qual ele era chamado na Terra. Ele enfim, estava começando a perceber o efeito de esquecimento que todo shinigami que vive por muito tempo experimenta. E desde que ele começou a esconder seus pensamentos da Morte, esse esquecimento só piorou.

     -Se esqueceu que você era chamado de Kira?

     -É, Ryuk...eu havia mesmo me esquecido desse nome. Interessante. Pois então aceito sua proposta...vou responder sua pergunta:

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     -Eu quero fazer isso, Ryuk, porque observando a vida humana...aliás, não só a humana, como também de todos os demais mortais que tenho observado,...vejo que todos são maus, Ryuk.

     -Sério? Você acha isso mesmo? -interpelou Ryuk.

     -E você não pensa assim? - disse Light.

     -Ku ko...eu quero ouvir VOCÊ explicando porque pensa assim, Raito.

     -Bem...se é assim, então eu vou falar: há milhões de motivos, Ryuk. Por exemplo, se um humano ouve um amigo falando que alguém lhe bateu, e esse humano vai lá ajudar esse amigo a dar uma surra no cara que ele acusou de ter batido nele, e depois de muito tempo ele descobre que seu amigo mentiu, e que só queria ferrar com um cara que ele não gostava...você acha que esse humano que tentou fazer justiça merece ser chamado de bom?

     -E a mãe que manda a filha abortar pra não ter que sustentar um filho bastardo, e em consequência do abôrto mal conduzido, a jovem fica mutilada, sem ter condições de ter nenhum filho pro resto da vida? Você acha que essa mãe é boa? Que essa filha que criou todo esse problema é boa? Que esse médico incompetente  e ilegal é bom? Que o homem que engravidou e abandonou a moça é bom? Que o bebê, que é a causa de todo esse sofrimento, é bom?

     -E a pessoa que lê no jornal notícias acusando um jovem político de ter roubado dinheiro da prefeitura? Então essa pessoa, movida por um limitado senso de inveja que os típicos humanos sentem dos políticos que enriquecem ilicitamente, começa a sentir um ódio visceral desse político como se a notícia que ela leu nos jornais fossem assinadas por Deus, que não mente. Mas não param pra pensar que em 99,9% dos casos um inimigo político pagou pra esse jornalista para escrever um monte de mentiras na reportagem só pra fazerem aumentar o ódio e o consentimento do leitor contra este prefeito. Então, em uma reportagem que conta apenas uma verdade, mas que vem acompanhada de dez mentiras só pra aumentar o ódio contra um prefeito que havia sido o melhor que aquela cidade já teve, mas que cometeu apenas uma pequena infração que nem deu prejuízo algum pra administração da cidade, acaba fazendo com que a carreira politica desse jovem e bom prefeito seja totalmente destruída pela ação de jornalistas corruptos e inimigos políticos mil vezes mais corruptos e imprestáveis para a sociedade. Você acha que esse leitor desse jornal que se deixa ser enganado tão facilmente pela mídia e faz passeatas contra esse jovem, honesto e trabalhador prefeito merece ser chamado de bom? Por mais que esse cidadão tôlo pense estar fazendo a coisa certa, e pense estar do lado do bem, ele na verdade está do lado do mal, e está fazendo mal a muita gente inocente. É por causa de gente tôla assim, que as Grandes Guerras acontecem. Que as grandes injustiças ocorrem!

     -Ryuk...todas as pessoas são más... mas não são más por maldade...elas são más porque são ignorantes! E o único responsável pelas pessoas serem ignorantes é Deus, que fez os humanos assim, e depois teve a cara de pau de "escrever uma Bíblia" acusando esses mesmos humanos de serem pecadores de um pecado que não é deles, mas sim do próprio Deus que os culpa. Eu disse "escrever uma Bíblia" entre aspas porque não foi ele quem a escreveu, como bem sabemos. Mas Deus se beneficia dessas palavras, e portanto, não deixa de ser cúmplice dessas ideias distorcidas.

     Se bem que eu não culpo Deus por nenhuma dessas coisas, afinal ele fez o melhor que pôde, e fazer melhor que isso é impossível, dadas as limitações da matéria.

     -E as pessoas que fazem caridade, Ryuk? Essas pessoas que vão até os países mais pobres dar comida, remédios e roupas pras pessoas necessitadas acabam fazendo com que essas mesmas pessoas se sintam melhores, tenham mais filhos, aumentando ainda mais a necessidade de mais e mais ajuda humanitária para saciar um ciclo vicioso que nunca tem fim, sem combater o mal pela raíz. Se em vez disso, esses doadores "de bom coração" lutassem contra a corrupção dos Chefes-de-Estado que tornam essas pessoas miseráveis e desempregadas, aí sim, eles estariam fazendo algo de bom, ou seja, estariam combatendo o mal pela raíz. Mas eles não fazem isso, e são chamados pelos tôlos de pessoas boas e altruístas, quando na verdade eles estão só multiplicando a miséria.

     -Ryuuku...há centenas de bilhões de exemplos que eu posso citar aqui pra você do porquê de eu afirmar que as pessoas são más, inclusive as melhores pessoas, mas imagino que você também já conheça esses mesmos exemplos de cór, não estou certo? Eu mesmo já fui assim como essas pessoas no passado, e me envergonho disso hoje.

     -É,...vou passar a te chamar de Kira a partir desse momento, ku ko ku ko. Agora sim nós falamos a mesma língua. Então vai ser bem mais fácil do que eu imaginava.



Capitulo 5 - Outros Velhos Amigos



     Antes de todo princípio conhecido, antes do próprio Deus Todo-Poderoso, havia um ser que pertencia à dimensão do Caos. Hoje essa estranha criatura é chamada de Morte.

     A origem de Deus é um mistério, que somente a Morte conhece. O que se sabe é que foi Deus quem criou todo o universo organizado e todos os seres espirituais. Mas para criar os seres feitos de matéria, os chamados mortais, Deus precisou da ajuda da Morte.

     Sem a existência da Morte, é impossível que os mortais possam existir, portanto todos os mortais são tão filhos de Deus, quanto da Morte.

     Já com os anjos e demônios é diferente, pois estes são 100% filhos do Criador.

     Portanto, assim que um mortal morre, metade de sua força vital volta pra Deus, e a outra metade volta pra Morte. Esse é o acôrdo.

     Deus e a Morte são como velhos amigos com este velho acôrdo.

     Amigos, porém com ideologias e caráter totalmente diferentes.

     Não se pode dizer que ela é má como Satanás, mas ela é essencialmente amante do caos. É uma forma de "vida" bem diferente de Deus, e dos seres por Ele criados.

     Desde o dia desse acôrdo, a Morte passou a residir(de certo modo) por mais tempo dentro do Universo criado por Deus, numa região que ficou conhecida como mundo dos shinigamis, e que alguns mortais costumam chamar de Hades, por este ser um dos muitos nomes da Morte.

     Alguns mortais de diversos mundos, erroneamente costumam misturar as coisas, e confundir o Hades com o Inferno. Mas estas são coisas totalmente diferentes:

     O Inferno é o lugar onde ficam os demônios e é pra onde as almas dos mortais pecadores são enviadas para tormento "eterno".

     Já o Hades...este é o lugar onde fica a Morte, ou deus Hades(ou Tânato), filho de Nix, a noite, filha do Caos.

     Parte do corpo de Hades fica na dimensão do Caos, onde nem Deus põe os pés. A outra parte fica no Hades a maior parte do tempo. Mas ela pode vaguear pelo céu, pelo inferno e pelo universo dos mortais à vontade.

     Contanto que ela vagueie por esses lugares sem se manifestar fisicamente, ela não causa nenhum dano aos seres vivos ao redor, sejam eles espirituais ou físicos, pois mesmo aos anjos e demônios, sob a mera presença da Morte, caso ela se manifeste fisicamente, pode ser mortal.

     Portanto, no Hades, ela pode ficar em sua forma de manifestação física, que não faz mal a ninguém. Somente Deus e os shinigamis podem lidar bem com sua presença física.

     Antigamente, ela ficava sozinha nesse mundo, até que um dia ela resolveu trapacear um pouco, e roubar um pouco mais da força vital dos mortais para si quando esses morriam,  deixando Deus recebendo apenas uma pequena parte daquela que estava no acôrdo.

     O método que ela encontrou para fazer essa trapaça foi bem peculiar: ela passava a matar alguns mortais antes do tempo devido pra roubar para si a força vital relativa aos anos de vida que foram roubados da pessoa.

     O problema desse método é que a Morte precisava ficar próximo ao corpo em putrefação por pelo menos um ano para digerir essa energia. E ela não gostava de ficar presa a um só lugar no mundo dos mortais.

     A solução por ela encontrada foi criar uma espécie de receptáculo catalizador dessas energias. Bastava que este receptaculo ficasse nao muitos milhares de kilometros de distancia destes corpos. E teria que ser uma forma meio viva, meio morta. Daí ela teve a brilhante ideia de criar um novo tipo de ser chamado shinigami.

     Ela esperaria esse shinigami matar muitas pessoas, e a vitalidade dessas pessoas passaria primeiramente para o shinigami, ou meio-shinigami, e assim que esse shinigami morresse, essa vitalidade voltaria toda para a Morte.

     A Morte é paciente por natureza, e ela espera Eras e Eras até que um Shinigami morra para poder ter uma refeição extra...uma iguaria de sabor inigualável!

     Não é preciso dizer a frustração e o ódio que ela sentiu quando o sacrifício de Gelus e de Rem foi Roubado por Lilith...


     Deus com certeza não gostava quando a Morte fazia essas coisas, mas como a quantidade de vítimas era sempre pequena, Ele não tomava nenhuma atitude drástica.

     Mas ele começou a se preocupar bastante com o fator Kira, pois diferentemente dos outros meio-shinigamis(assim são chamados os mortais que possuem um death note), este Kira matou um número extremamente expressivo de pessoas.

     Desde então Ele têm tomado providências para controlar e restringir esse tipo de atitude, colocando espiões entre os shinigamis, e manipulando suas atitudes, o que tem perturbado sobremaneira a Morte, pois desde o caso Kira, quase nenhum shinigami recrutou novos mortais com death notes, e os poucos que foram recrutados fracassaram rapidamente.

     O fator Lilith-Misa foi a gota d'água para a Morte, pois além dela estar desconfiada de seus próprios shinigamis por estarem tendo um comportamento muito mais passivo do que o normal, ela ainda está atarefada em como recuperar todas essas vidas perdidas com as diabas.

     Insatisfeito, Hades procura Deus para uma conversa complicada.

     -Javéeeeé...Jaaavvveeeeeé!...voooceeeeê eeestaaaaaá me ouuuviiiiiindoo, Jaaveeeé? - diz a Morte chamando Deus por seu verdadeiro nome.

     -Saudações, caro amigo! Diga-me...o que lhe aflige? - responde cordialmente como sempre Deus foi.

     -Teeemosss asssunnnntoossss a trrrrataarrr...

     E ele continua:

     -Queeero o queee eeeé meuuu! Aquela suuuaa filiiinhaaa mimaaaaaadaaaa rouuubbbouuu minhassss vidáaássss....eu as quero de voooolttttaaaaa, Javeeeeé.

     E ameaçou, apontando seu dedo indicador para Deus:

     -Vooooccceeê eeessssstaaaá trrrrapaaaccceeeeaaandddooo, Javeé! Não mmme prrrrovoque...- aqui ela inclina seu rosto mais pra frente como querendo se aproximar mais de seu interlocutor.

     -Hades...você conhece bem as regras dos 120 dias. Passado este tempo eu não tenho mais controle sobre a vida humana. Se aquela meia-shinigami valia tanto para você, porquê você não foi antes de Lilith pegar o que era seu? Sabe que eu nada podia fazer a esse respeito.

     -Vooocccceeeeê poooodddiiiia tttterrr meeeee avisaaaado, Javeeeé...Pra mim aaaaquela meia-shinnnigammmmiii ia secar e morrrrerrr em 300 anosssss. Niiiingueeeeém tem o direiiiitoooo de seee meterrrrr com meeeeu alimmmeeentoooo.

     A Morte começa a rondar Deus, acrescentando:

     -Deeeeê-me o coraçaaaaaãoooo de Lilith ainda pulllllssssandooooo, e euuu tee perdooooôoooo, Javeeeeeeeéé!

     Deus jamais gostou da ideia de medir forças com a Morte, e nem tampouco ela também gosta de considerar essa possibilidade. Todos os conflitos do passado entre ambos sempre foram resolvidos com negociações... algumas até custosas para ambos os lados, mas eles sempre se entenderam dessa forma, como numa política entre dois vizinhos civilizados.

     -Lilith é uma degenerada que merece o pior, Hades, mas matá-la só multiplicaria nossos problemas...

     -Seussss prrrrobleeeeemassssss! Seusss prrrobleeeeemasss! Não ossss meus, Javeeeé! - Hades cortou a fala, desta vez com um tom bem mais agressivo.

     Deus começa a considerar a possibilidade de perder a paciência, mas resolve dar mais uma resposta num tom carinhoso e educado, mas desta vez com um olhar de aviso, que a Morte sempre entende bem.

     -Diga-me, Hades: quantas vidas você já me roubou nesses tempos? Quantas daquelas vidas da meia-shinigami pertenciam a mim, e você roubou? Eu tenho aceitado com paciência suas atitudes sem reclamar, e você vem reclamar comigo de ladrão que rouba ladrão, Hades? A mim você não engana. Aquelas vidas permanecem com Lilith.

     A Morte põe suas mãos fúnebres na própria cabeça, deixando a foice cair, e começa a lamuriar horrivelmente, de um jeito tal que o próprio Deus se sente desconfortabilíssimo:

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     - Seeeettte céeeeeéus, seeettteeee Infeeerrrnos, ssseteee piraaaâmmmmides! Todos vooooocêeeeeês são testttttemuuuuunhas desssssa grannnnnnde trrrrrraáaiçãoooo, desssssse rrrroooubbbboo...eeeeuuuu vvvvvoooouuuuuu cceeeeiiiiffffarrrr, vvvvooouuu ceeiiifffarrr vvvviiiiddddaaaas hhhuuuummaannaaassss dddaaa Terrraaa aatteeeeé rrreecccuuuuppperarrr o mmeessmmooo nuuúmeroo dee vviiddaaaas que laaá eu perrdiii...

     Todos os seres dos céus, inferno, potestades e das dimensões etéreas ouviram este lamento da Morte, que lhes foi dirigido.

     Ela se abaixa e pega novamente sua foice do chão, e olha para Deus:

     -Vvoouuu fffazzeeerr a colheeittaaaa à minhaaa maneiira, Javeeeé. Estou com presssaaa e famiintoo, e preciisooo de mmuuitosss em ppouccooo temmppooo.

     Deus sabia muito bem o que significava "muitos em pouco tempo". Significava o método predileto da Morte de ceifar vidas rapidamente, que era através de grandes guerras. Isto havia sido provocado por ela no passado em duas ocasiões diferentes dessa, justamente na Primeira e Segunda Guerra Mundiais da Terra.

     Foi a época da Dança da Morte, quando ela ceifava vidas rápido como quem ceifava trigo. Foi um tempo em que miríades de vidas foram parar no Inferno, pois o caráter humano era colocado à prova sucessivas vezes e a maldade sempre vencia, pois o poder corrompia e era tentador.

     Desta vez a Morte conta com a obsessão de um jovem shinigami vingativo, frio e astuto que está disposto a causar o maior estrago possível sem se preocupar com as consequências, e Deus sabe disso. Um shinigami perigoso com um raro poder de liderança, capaz de corromper e mobilizar os demais a ajudá-lo em sua causa: mais uma vez Deus avalia o estrago que o fator Kira pode causar, e começa a ponderar sobre quais providências tomar para sabotar ao máximo suas ações.

     Mesmo sendo "Todo-Poderoso", Deus estava de mãos atadas, pois se ele tentasse impedi-la, ela poderia ir embora de volta para a dimensão do Caos, e todos os seres mortais de todo o universo morreriam instantaneamente.

     Este seria um estrago infinitamente maior que uma simples Terceira Guerra Mundial, localizada apenas num pequeno e insignificante planeta. Há muitos outros mundos com muito mais vidas bem mais valiosas que as humanas. Portanto Deus não encontrava saída senão consentir.

     O caso é que este diálogo ocorreu na época em que a Terra ainda existia, logo depois de Misa morrer e ter sido levada ao Inferno. E Deus sabia por antecedência que a Morte aguardaria que Kira, seu trunfo, atingisse maturidade e experiência bastante como shinigami para usá-lo.

     Bastava que Kira viajasse ao passado para ceifar as vidas da época mais aproximada possível à aquela das vidas roubadas de Gelus e Rem. Mas como Kira só pode alterar o passado da época após sua morte, então a Morte teria que se contentar com um morticínio que só poderia ocorrer após o dia de sua morte, no caso, Kira só poderia viajar ao passado a partir do dia 28/01/10, depois da partida de Ryuuku.

     Segundo as regras do Arquiteto do Universo, Kira até poderia viajar antes de sua morte, mas sem alterar nenhum fato. O mesmo vale pra Misa, a menos que ela viaje depois de alguém causar desequilíbrio no tempo.

     Quanto à Morte, esta poderia muito bem viajar no tempo e impedir Lilith de roubar Misa, mas isto já não lhe interessava mais, pois em sua falsidade isso serviu bem de desculpa para ela provocar caos na Terra, e se sentir em casa.

     - Faça como quiser, Hades, mas por favor dentro das regras. Sem excessos. Pegue o que é seu e vá embora, mas não espere que eu vá ficar de mãos atadas. Vou controlar os exageros e impedir violações de minhas leis.

     - Entaaão esstamosss entendiiidossss, Javeeé! Ateeé maaaiisss, viziinhooo...


Capítulo 6 - Articulações


Death Note cap. "6" - Articulações

     - O que vai ser mais fácil, Ryuk? - questionou Kira.

     - Senta aí, rapaz...agora vamos jogar pra valer.

     Ryuk arrumou as peças e escreveu em código:

     - "Você precisa saber de uma coisa: Não deve confiar em todos shinigamis. Somente eu, você, Mara, Rasputin e Godus sabemos desse código. Os outros são fiéis demais à Morte. Recebemos uma oferta, Kira...uma oferta de muito valor. Achamos uma maneira de escapar desse lugar, conseguir o perdão, traírmos a Morte, e Deus vai nos receber nos céus com direito a vida eterna e tudo, Kira...basta fazermos o que Ele nos pede...o que acha?".

     - "É possivel?!" - respondeu Kira em código, chocado.

     - "Escuta, Kira...estou colocando o meu na reta expondo isso para você. Se você me entregar, estou ferrado. Te falei isso porque te acho legal, e estou confiando que você não vai me entregar".

     - "Mas você falou os nomes dos outros pra mim, Ryuk...você não acha que entregou eles pra mim, caso eu fosse um traidor? Se eu fosse um deles, você teria me entregado".

     - "Errado, Kira. Vocês humanos da Terra enxergam as coisas diferentemente de nós, do mundo donde eu e Godos viemos. E entre os shinigamis todos usamos esse código de camaradagem: se um cai, todos vão juntos. Se um sobe, todos sobem juntos! A amizade vale mais que uma boa causa, essa é nossa lei. Juntos no céu ou no Inferno, mas vamos todos juntos!"

     - "Taí, gostei disso. Estou com vocês então, mas primeiramente preciso saber do que se trata, e mesmo que eu mude de ideia e siga outro rumo ou opinião, não entregarei vocês, tem a minha palavra."

     - "É melhor você ouvir diretamente Dele.O shinigami Mrtyu Mara, mais conhecido como Mara, foi quem descobriu um portal secreto aqui no mundo dos shinigamis...um portal pra falar com Deus. Você tem que já ter comido alguma maçã daqui do mundo dos shinigamis, e depois derrubar qualquer árvore. Pode ser qualquer tipo de árvore de qualquer mundo, até mesmo as árvores do Inferno ou do Céu, mas lá no Inferno não tem maçãs, exceto as que os capetas roubam da Terra. É bom você saber: eu dei uma dessas maçãs praquela sua namorada de cabelo amarelo, agora eu não lembro o nome dela. Achei que seria bom por garantia porque ela era legal."

     - "Misa!"

     - "Isso, mas não falei nada sobre derrubar árvores pra ela, hehehehehe."

     - "Somente nós quatro somos os únicos shinigamis que comem maçãs. Não podemos de modo algum deixar que outro shinigami coma nossas maçãs, ficou claro?"

     - "Está bem."

     - "Olha...faltam só mais 98 anos para nascer a próxima."

     Nesse ínterim, Kira conheceu os outros shinigamis, e de vez em quando "jogava" com os outros três do grupo, ou jogava jogos comuns com os demais shinigamis

     Ele ficou sabendo das histórias de vida de cada um, e fazia amizade facilmente com todos, e não ficava só restrito a grupinhos, muito menos isolado. Estava sempre com alguém, até com os que eram do grupo daqueles que preferem morrer a qualquer momento do que a eternidade(shinigamis suicidas como no caso dos falecidos Rem e Gelus) ou com os que preferem viver eternamente com a Morte. Os únicos que sempre consideraram o Inferno um lugar aceitável são justamente os do grupo do Ryuuk. Mas todos, à excessão do grupo dos suicidas, preferem o céu, caso tivessem chance.

     No caso de Gelus e Rem, estes só estavam esperando por algum motivo pra se matarem. Qualquer motivo serviria, mas como eles eram pessoas boas, queriam morrer fazendo algo de bom, e além disso, adiando o alimento da Morte o máximo possível por vingança.

     Estes não queriam ir para o céu porque eram os tipos mais sábios de shinigamis que existiam, e no seu entendimento, eles achavam que a felicidade tinha mais valor do que a vida, e que não havia razaor em existir em um Universo onde existisse maldade.

     Eles criticam muito a Deus por permitir o sofrimento como desculpa de quem diz: "Sem sofrimento não há livre-arbítrio, não há diversidade, não há vida". Eles próprios já escreveram sugestões de como deveria ser o Universo sem maldade, mas sempre foram ignorados por Deus pelo fato de suas ideaias estarem em conflito com as divinas.

     Então por isso, eles sempre se acharam ser mais bondosos que Deus, e consequentemente sempre tiveram desprezo por Ele, preferindo morrer do que conviver num mesmo Universo onde tem um Ser Todo-Poderoso, mas que não faz nada, segundo a opinião deles.


dn6.1

     - Engraçado... seu nome não me é estranho - disse Kira para Rasputin num dia desses.

     - Certamente, caro aprendiz, pois venho da Rússia. Somos do mesmo mundo de épocas relativamente próximas. Eu era o bruxo mais temido da nossa era, e fui conselheiro dos Czares. A Rússia estava sob meu total domínio e ninguém ousava me contrariar.

     E continuou:

     -Até o dia em que me envenenaram. Usaram uma quantidade suficiente para matar até mesmo 10 cavalos, meu jovem. Mas eu era forte com minha magia e não morri. Então atiraram em mim várias vezes e me jogaram no rio. Fiquei lá por vários dias, mas eu era forte com minha magia e não morri.

     -Tentaram de tudo, até o dia em que acharam que eu estava liquidado e se esqueceram de mim. Então eu fugi, e depois de muitos anos veio um shinigami que me deu um Death Note. Infelizmente isso só aconteceu no final da Segunda Guerra Mundial...eu já estava velho, e não consegui fazer muitas vítimas. Você, meu jovem, matou muito mais que eu, até porque na sua época a população mundial era muito maior, e você conseguia ser discreto.

     - E porque tentaram te matar tanto? Que besteira você fez? - perguntou um outro shinigami, Keres, que nem conhecia essa história.

     - Besteira? Eu era um pervertido. Eu era padre  e dizia pra todas as fiéis para dormirem comigo que elas iriam para o céu. Elas acreditavam. Dormi com todas as mulheres da União Soviética, desde a mais pobre até a mais nobre. A esposa do Czar comia na palma da minha mão, rastejava sempre que eu mandava na frente dos outros. Fiz o filho do Czar adoecer só pra eu fingir que o curaria, deixando toda a nobreza de joelhos aos meus pés.

     Eu era mais influente que toda a nobreza junta. Quer mais motivos? Posso passar toda a eternidade falando as coisas podres que eu fiz, e não vai dar tempo de terminar de falar tudo.

     - Um shinigami? Um shinigami é um santo perto de mim. E aqui estou eu, longe do Inferno, e a salvo. ke ku ku ka ka ka!

     Kira ficou de queixo caído ao ouvir essa história, e só varios dias depois é que ele se lembrou do Rasputin dos livros de história, o único bruxo cujos feitos são fatos históricos da Terra, e não apenas mero folclore.

     Todos os shinigamis tiveram histórias muito interessantes mesmo antes de receberem seus Death Note. Na verdade, todos eram seres de QI superdotado em relação a seus semelhantes. A morte manipulava sutilmente as escolhas para que ela tivesse um "exército" de primeira linha.

     Kira, de fato, ao conhecer os demais shinigamis, logo percebeu que eles todos eram seres superiores em intelecto, e se sentiu feliz com isso, pois era o tipo de compania que ele mais gostava.

     Não havia senso de superioridade entre si. Ali todos eram iguais, e o respeito mútuo era recíproco, típico de seres superiores.

     A única coisa que Kira tinha de superior era sua mente de jovem shinigami, que é mais afiada e menos esquecida que as dos outros mais velhos.

     Quanto à personalidade, os shinigamis não tem nenhum que seja líder natural como no caso do Kira. O que tem é a respeitabilidade, inteligência e experiência de Mara, e o carisma de Ryuuk e também o sarcasmo maluco do Keres.

     Portanto, sendo o mais jovem, Kira logo percebe que se quiser tomar uma liderança, ele tem que ser muito discreto e humilde.

     Manipular shinigamis de igual-pra-igual é totalmente diferente de ser um humano "manipulando" dois shinigamis sob condições bastante favoráveis para si, como ocorreu na Terra.

     Entretanto, o moral que Kira tem com Ryuk é um ponto positivo que pode ajudá-lo bastante. E o fato dele ter sido um "recordista de assassinatos" lhe confere estima junto dos demais.

     Quanto ao shinigami Mara, antes deste receber seu deathnote, trabalhava como psicólogo em um mundo habitado por humanos, mas diferente da Terra. Ele induzia seus pacientes a cometerem suicídio, e atendia muitos gratuitamente só para fazer isso. Era um típico psicopata...o único psicopata dentre os shinigamis.

     E assim que recebeu seu Death Note, tinha predileção maquiavélica de fazer suas vítimas cometerem suicídio pulando pelas janelas dos prédios, caindo em cima de muitos pedestres azarados, ocasionando a morte de muitos desses também.

     Acabou morrendo do coração quando soube que sua própria esposa morreu dessa forma...como pedestre azarada.

     Desde que virou shinigami, Mara sempre foi considerado o pior e mais desumano de todos. Ele aparecia pras pessoas pra quem ele ia entregar o Death Note, e mentia descaradamente, dizendo coisas horríveis... impensáveis... fingindo ser assombração, e assustando os meios-shinigamis a ponto de forçá-los a cometer suicídio.

     Ele se divertia sobremaneira com tais maldades, e foi o primeiro ser criado por Deus que já fez a Morte rir diversas vezes.

     Nas antigas lendas japonesas, Mara é conhecido como o shinigami dos suicidas, e foi ele o inventor do duplo suicídio por amor. Até mesmo estórias famosas dos humanos, como Romeu e Julieta, foram baseadas em fatos reais causados por ele.

     Mara faz essas perversidades não somente na Terra, como na maioria dos mundos também. Se como meio-shinigami Kira é o recordista, já como shinigami ninguém jamais superará Mara, pois ele tem uma marca impossível de ser alcançada!




Capitulo 9 - Voodoo vs Death Note



     Ele abraçou seus pais, disse que a Clara estava dormindo, e quando estes deram as costas, Godos rapidamente escreve seus nomes no "livro da vida". 40 segundos depois, estes morrem, mas Godos achava que estavam sonhando com os anjos também.

     Acendeu mais 14 velas brancas e rezou por duas horas.

     Já estava tarde, e o garoto com fome. O shinigami mandou que ele levasse consigo um pacote de sal e lambesse aos poucos pra que não sentisse fome nem sono. Assim foi feito.

     - Vamos levar mais pessoas para o céu. - disse o shinigami "anjo".

     O menino pegou uma tocha com as patas e saiu voando nas casas das pessoas à noite(as crianças voam mais que os adultos).

     O shinigami fez com Godos o acordo dos olhos para que ele não perdesse tempo perguntando os nomes das pessoas.

     O garotinho batia na porta das pessoas no meio da noite, e quando elas abriam e tinham seus nomes escritos, "sonhavam com os anjos".

     O garotinho batia na porta das pessoas no meio da noite, e quando elas abriam e tinham seus nomes escritos, "sonhavam com os anjos".

     Godos fez famílias inteiras naquela noite de lua cheia "sonharem com os anjos" até o sol nascer!

     Ele estava em puro êxtase religioso que lhe fazia se sentir como que cumprindo uma missão dos céus, portanto não sentia fome nem sono. Apenas bebia água em todas as casas que visitava, e quando achava um pedaço seco de pão, dava uma mordida.

     Durante o dia, nas ruas, ele fazia todos "sonharem com os anjos" enquanto caminhava e voava, criando várias cidades repletas de "sonhadores".

     Alguns sobreviventes apavorados que foram espertos a ponto de correrem antes de serem vistos pelo garoto avisaram ao chefe religioso local que havia um enviado do inferno matando as pessoas nas ruas.

     Ryuuku era o chefe da tribo de canibais Terú e era o mestre voodoo local, e assim que recebeu este aviso, sem saber que se tratava de uma criança, logo se preparou para caçar esse demônio e comer ser coração vivo para ganhar seu poder.

     Como bom adepto da magia negra dos diabos voodoos de Sanéfs, Ryuk jamais perderia uma oportunidade como esta de ganhar tal poder antes da morte, pois ele já era um velho sábio guru de 50 anos, e ninguém de sua raça vivia mais do que 55.

     Ele estava velho e lento, mas ainda assim era o oráculo mais prestigiado do país. Várias almas de todo o continente buscavam sua ajuda e seus conselhos para seus problemas pessoais e aflições d'alma. Ele fazia trabalhos tanto para o bem, quanto para o mal, e tinha pacto com vários deuses...alguns pagãos, outros de esferas prânicas celestiais.

     Seus ajudantes e seguidores o escoltam e ajudam a carregar seus bonecos voodoos e seus artefatos religiosos.

     O voodoo é uma vertente da magia. Ela é injustamente rotulada de magia negra devido ao perigo de se usar tal técnica assustadora.

     Essa técnica é baseada em uma das Sete Leis Maiores de Deus que regem o Universo, conhecidas também como As Sete Chaves de Toth. Se chama A Lei da Correspondência, que diz: "Assim na Terra, como nos Céus". A explicação do princípio de funcionamento voodoo é deveras complexa. Mas a grosso modo, ela explica que um sorriso faz outra pessoa também sentir vontade de sorrir...um bocejo faz outra pessoa também sentir vontade de bocejar... uma tosse faz outra pessoa sentir vontade de tossir...e por aí vai...

     Se você pegar um boneco de cêra fazendo-o se parecer com alguém e acreditar que esse boneco é aquela pessoa, conforme o poder de sua fé, e após determinado ritual, tudo o que acontecer com aquele boneco, acaba acontecendo com a pessoa.

     Se você jogar o boneco no fogo, a própria pessoa morre queimada...se enfiar agulhas no boneco, a própria pessoa sente as dores e pode até morrer dependendo do lugar que a agulha entrou.

     Há técnicas de cura muito apreciadas pelo voodoo, pois ele não serve só pra fazer o mal.
Mas essas são um pouco mais demoradas, e é portanto inegável que nesse Universo, fazer o mal é sempre mais fácil do que fazer o bem.

     Contruir um castelo de areia exige trabalho, habilidade e muito tempo...mas destruir exige um só movimento. Assim é o Universo criado por Deus.

   
No link abaixo está a continuação dessa estória q vc pode acompanhar:
https://spiritfanfics.com/historia/death-note--o-dia-seguinte-death-note-continuacao-6625953


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